Teoria das Restrições: Entenda o conceito e como implementar

A Teoria das Restrições é proveniente da sigla em inglês TOC (Theory of Constraints) e se tornou muito conhecida a partir do livro “A Meta” escrito por escritor Eliyahu Goldratt.

A imagem mostra como a ferramenta pode ajudar a encontrar gargalos

Desde então, passou a ser conhecida como uma ferramenta de negócios que se baseia na identificação e em trabalhos com gargalos e restrições nos processos de produção.

Essa ferramenta também pode ser abordada em processos nos quais se aplicam a melhoria contínua, indicadores de performance, MASP e análise de gargalo produtivo.

Dentre os principais problemas a serem tratados pelo “TOC” podemos citar a ausência de fluxo de caixa, erros em processos produtivos e casos de atraso de entregas.

A aplicação dessa ferramenta também pode ajudar na geração de eficiência para o local de trabalho envolvendo todos os membros da equipe.

Estamos falando também de uma ferramenta inovadora que ajuda bastante para o raciocínio e gerenciamento de diferentes funções, principalmente, para a tomada de decisão e seleção de fatores restritos para a criação de fluxo positivo para a produção da empresa.

A identificação de fatores que podem ajudar ou limitar os resultados de um projeto é crucial para a geração de resultados para a organização. Neste artigo falaremos mais sobre essa ferramenta que tem sido muito valorizada e aplicada em diferentes empresas em todo o mundo.

O que é a Teoria das Restrições?

Conhecida no exterior como “TOC”, trata-se de uma filosofia e metodologia de identificação de fatores que possam estar prejudicando a produção da empresa.

No projeto, os problemas são conceituados como fatores limitantes e que podem interferir diretamente no desenvolvimento de um projeto e alcance de seus objetivos.

Posteriormente, pode ser considerada como uma metodologia para melhorar o desempenho perante cada tipo de restrição. No processo produtivo, qualquer tipo de restrição é considerado como um gargalo.

Abordagem do TOC

Em sua aplicação a ferramenta TOC oferece conhecimentos de nível científico para a melhoria de resultados.

Sabemos que todo processo produtivo pode se tornar complexo, incluindo o planejamento, a aquisição de bens de produção, matéria-prima, insumos complementares, projeto logístico, processos de produção e várias atividades interdependentes que podem sofrer com restrições.

Além dos erros e inconformidades, uma etapa desnecessária ou considerada fraca em todo o processo pode se tornar também em ponto restritivo em toda a cadeia produtiva.

Objetivos fundamentais da Teoria

Dentre os objetivos mais fundamentais que a Teoria das Restrições busca; podemos citar o ganho de lucro, redução de erros, eliminação de gargalos e otimização de processos.

Na busca por esses melhores resultados devemos nos lembrar das cinco etapas que envolvem a aplicação do TOC.

As cinco etapas do TOC

Um gráfico que mostra as 5 etapas da Teoria das Restrições

As referidas cinco etapas para o foco visam a identificação e eliminação das restrições.

Identificação: O ato de identificar a restrição atual envolve analisar partes de todo o processo.

Exploração: É importante saber explorar os pontos problemáticos (gargalos) para aplicar melhorias no fluxo de restrição.

Regras de conexão: Permite revisar as demais atividades do processo visando garantir alinhamento e funcionalidade para atender vários níveis de qualidade.

Elevação: Caso determinado gargalo ainda não existe ou ainda não foi movido, é importante antecipar a identificação e determinar novas ações para eliminar cada tipo de restrição.

Repetição: O uso das cinco etapas de foco pertence a um precioso ciclo de melhoria contínua, quando um gargalo é superado a próxima restrição deve logo ser apontada e resolvida.

A origem

O TOC é uma ferramenta que surgiu através do livro “A Meta” lançado em meados dos anos 1980, essa obra foi escrita por Eliyahu Goldratt.

Essa ferramenta evoluiu bastante nas últimas décadas e já é considerada como um dos principais fatores para nortear o processo de gerenciamento de um ponto de produção ou negócio.

A melhoria contínua

Os objetivos dessa ferramenta caminham de encontro com os da melhoria contínua, muito abordada pelas ferramentas Lean Six Sigma.

Pois, na prática, ela sempre prioriza atividades para melhorar processos.

Visa sempre, como ação prioritária, a restrição atual do processo. Em determinados processos, o uso do TOC pode oferecer determinada metodologia focada para a melhoria em curto espaço de tempo.

Conheça mais benefícios

Com a implementação da Teoria das Restrições, podemos ajudar a empresa a atingir os seguintes benefícios:

1 – Elevação do lucro sendo este o principal objetivo da ferramenta;

2 – Melhoria rápida de processos e de resultado, principalmente, em relação com áreas críticas;

3 – Aumento da capacidade através da otimização de produção depois de eliminada as restrições;

4 – Redução de prazos de entrega com fluxos mais suaves;

5 – Redução de inventários que elimina gargalos causados pelo excesso de produtos.

Conceito central do TOC

O conceito da ferramenta revela que cada processo tem uma única restrição, lembrando que o fluxo total do processo só pode ser melhorado depois que a restrição é melhorada ou superada.

A empresa precisa parar de gastar recursos e tempo otimizando processos defeituosos que se transformam em verdadeiros gargalos.

Dessa forma, a empresa alcançará grandes benefícios. A melhoria nas restrições ajudará muito a organização a alcançar o seu primeiro objetivo: obter lucro.

A partir da utilização do TOC, a empresa consegue obter mais visão sobre a melhoria da restrição atual até que ele não limite mais o fluxo produtivo, etapa na qual o foco se move para a próxima restrição.

Dessa forma, flui na cadeia produtiva a capacidade de gerar um foco fortalecido para determinado objetivo sem qualquer restrição.

Como executar o processo?

A aplicação da Teoria das Restrições aborda sofisticada filosofia e metodologia de resolução de problemas.

Essa metodologia é referida como Processos de Pensamento, sendo cada processo de reflexão otimizado para sistemas complexos incluindo interdependências presentes, por exemplo, na linha de fabricação.

Esses sistemas podem ser projetados como ferramentas científicas de “causa e efeito”, utilizadas para identificar primeiro as causas raiz dos efeitos indesejáveis (denominados UDEs) indicando o caminho para a remoção.

Como são usados os Processos de Pensamentos?

A imagem mostra como funciona o Processos de Pensamentos

Os Processos de Pensamentos são utilizados para responder três questões fundamentais:

  1. O que precisa ser alterado?
  2. O que deve ser mudado?
  3. Quais ações precisam de mudança?

Dentre as ferramentas presentes nos Processos de Pensamentos podemos citar:

Árvore de Realidade Atual: Esta refere-se aos documentos do estado atual do sistema produtivo. Utiliza diagrama que apresenta o estado atual e qual ponto precisa ser melhorado.

Árvore de nuvens de evaporação: Essa ferramenta ajuda no processo de avaliação para melhorias potenciais.

Usa diagrama que auxilia a identificar mudanças específicas (chamadas injeções) para eliminar os gargalos.

Árvore da Realidade do Futuro: Essa ferramenta envolve documentos do futuro estado do sistema estudado. Utiliza um diagrama que descreve o estado futuro, refletindo os resultados de injeção das mudanças.

Estratégia e Tática de Árvore da Realidade: Oferece plano de ação para melhoria oportuna.

Essa ferramenta usa diagrama que detalha um plano de implementação para o alcance do estado futuro. Dessa forma, permite a criação de uma estrutura mais lógica para organizar as informações.

O fluxo de valor

O uso do fluxo de valor também implementa o uso da Teoria das Restrições, sendo uma metodologia muito confiável que ajuda na eliminação de erros nocivos.

Essa ferramenta pode complementar o TOC de forma a evitar comportamentos inesperados em determinados projetos e elevar o lucro a médio e longo prazo.

Além do uso na produção

Além de serem ferramentas aplicáveis para a produção e organização do ambiente produtivo, o TOC e suas ferramentas transversais também podem ser adaptadas para a geração de serviços e de gestão da empresa.

No caso da contabilidade, por exemplo, quando se trata de uma contabilidade tradicional o inventário é considerado um ativo que pode ser convertido em dinheiro (receita). E muitas vezes, o excesso de inventário pode gerar um gargalo para a corporação, gerando a compra e aplicação de insumos que, geralmente, podem não ser necessários.

O acúmulo de inventários e de estoque pode gerar lucro no projeto e perdas no caixa da empresa, pois pode acontecer perdas no fluxo de vendas gerando custos com estoque e administração com o armazenamento.

Com a aplicação da Teoria das Restrições, o administrador considera o inventário como um passivo cujo estoque acumula valor e dinheiro a serem empregados de forma mais produtiva em outros setores da empresa e segmentos de ação de mercado.

Redução de despesas

A contabilidade comum pode concentrar muitos esforços na redução de custos e despesas de forma direta. Porém, através do uso do TOC o gestor passa a considerar que o método de elevação da geração de receita é mais importante do que somente cortar custos.

Dessa forma, quando se trabalha por meio da contabilidade de fluxo de valor, os investimentos e aplicações em projetos passam a ser percebidos de uma forma mais oportuna.

Despesas x Vendas

Ao aplicar a metodologia do TOC a empresa passa a dar maior ênfase para a elevação da taxa de transferência, concentrando menos esforços para o corte das despesas e se concentrando mais para construir vendas, essa construção pode ser compreendida como Fluxo de Valor.

O que são Restrições?

Neste artigo falamos muito sobre as restrições e possíveis gargalos que podem aparecer em diferentes tipos de sistemas de produção e de gerenciamento.

As restrições se referem a qualquer ponto de impedimento para o progresso da empresa em relação ao seu objetivo. No contexto da Teoria das Restrições o objetivo se concentra na geração de lucro e de aumento do fluxo de receitas.

Nos processos de produção, por exemplo, essas restrições podem ser compreendidas também como gargalos ou estrangulamentos.

Tipos de restrições

A seguir apresentamos os principais tipos de restrições que podem ser identificados:.

1 – Física – Refere-se, principalmente, ao equipamento, e outros itens tangíveis que podem apresentar falhas de material, falta de pessoas ou ausência de espaço.

2 – Política – Esse tipo de restrição está relacionada com os meios de trabalho recomendados.

O meio de trabalho pode ser informal para orientar os novos funcionários sobre a cultura laboral de forma direta. Ou através de regulamentos internos e externos.

3 – Paradigma – Essa restrição está atrelada às crenças ou hábitos já enraizados na cultura da corporação. Muitas vezes, a empresa possui o hábito de manter os equipamentos sempre ligados para manter o ritmo alto de produção, pagando mais caro pelos custos com as peças.

4 – Mercado – Quando a capacidade de produção da empresa ultrapassa as vendas, temos uma restrição presente no mercado que não permite que a empresa atinja determinado rendimento.

A respeito das restrições existentes, com a aplicação do TOC da maneira correta, boa parte das restrições poderão ser deslocadas para o mercado e para fatores de relacionamento com o ambiente externo.

Devemos ressaltar que grande parte dos sistemas, genericamente, possui pelo menos uma restrição a ser superada ou deslocada. Mas, em média todo sistema costuma ter em média de duas a três restrições.

O que fazer?

Ao identificar as principais restrições e compreender a necessidade de aplicação para criar caminhos para o crescimento e alcance dos objetivos, a gestão pode fazer as seguintes perguntas:

  • O que precisa ser alterado?
  • O que deve ser mudado?
  • Que ações causarão a mudança?

Posteriormente, a empresa deverá criar um plano de ação orientado pela metodologia da Teoria das Restrições.

Conclusão

Portanto, a inclusão do TOC como ferramenta para geração de soluções e criação de oportunidades lucrativas é essencial para o crescimento de sistemas de produção.

Podemos também combinar as ferramentas do TOC com as ferramentas do Lean Manufacturing (Manufatura ou Produção Enxuta) com as ferramentas do Six Sigma.

Lembramos que as corporações possuem recursos finitos e nem sempre todos os aspectos podem ser melhorados ao mesmo tempo, pois além de vontade administrativa e da aplicação de estratégias fundamentais, certas ações podem exigir investimento de capital adicional.

Como principal resultado, além de obter o lucro, a empresa reforçará sua atuação no mercado, gerando eliminação de desperdícios de forma não forçada e sem comprometer a qualidade de seus produtos e processos de produção.

Atualmente, o mercado tem se tornado cada vez mais concorrido exigindo que empresas de diferentes setores invistam cada vez mais em metodologias de negócios e filosofias que atualizem a abordagem de projetos e ação de mercado.

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